NOTA DE FALECIMENTO – ALDYR GARCIA SCHLEE
Mapa mundi pintado por Aldyr Garcia Schlee na parte inferior de uma antiga mesa de botão

O futebol de mesa brasileiro perdeu um dos seus grandes nomes, Aldyr Garcia Schlee. Fundador da Academia Pelotense de Futebol de Mesa faleceu no dia 15/11/2018, aos 83 anos.

Além de sua paixão pelo futebol de mesa Aldyr Garcia Schlee era torcedor do Brasil de Pelotas, escritor, jornalista, foi professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), por mais de trinta anos onde foi também pró-reitor de Extensão e Cultura. Foi fundador da Faculdade de Jornalismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), de onde foi expulso após o golpe militar de 1964. Em 1963, ganhou o prêmio Esso de jornalismo por reportagem sobre o xisto betuminoso no Rio Grande do Sul. Como escritor recebeu duas vezes o prêmio da Bienal de Literatura e outros seis do Açorianos (1997, 1998, 2001, 2010, 2011 e 2013).

Aldyr Garcia Schlee criou o uniforme verde e amarelo da seleção brasileira de futebol, mais conhecido como Camisa Canarinho. Em 1953, aos 19 anos, desenhando e fazendo caricaturas para jornais de Pelotas, ele venceu 201 candidatos no concurso promovido pelo jornal carioca Correio da Manhã para a escolha do novo uniforme da seleção. A ideia era substituir a camisa branca do trágico “Maracanazo”, quando a Seleção foi derrotada em pleno Maracanã pelo Uruguai, por 2 a 1, no quadrangular final da Copa de 1950. Ironicamente, ele se declarava torcedor do Uruguai. Sua ideia, na época inovadora e hoje usual aos olhos de quem vê a Seleção Brasileira, foi de colocar as cores da bandeira nacional no fardamento: camisa amarela com detalhes em verde, calção azul e meias brancas. O primeiro exemplar foi mostrado em 1954. Após o concurso, a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) oficializou o uniforme. Como prêmio, Aldyr ganhou o equivalente a vinte mil reais e um estágio no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro.

Ironicamente Aldyr Garcia Schlee era torcedor da Seleção Uruguaia. Sua paixão pelo futebol platino é compreensível. Ele nasceu Jaguarão (RS), a cerca de 600 km de Porto Alegre e a apenas 200 metros da fronteira com o Uruguai onde fica a cidade de Río Branco. Quando garoto, acompanhava futebol por meio dos jornais uruguaios e argentinos que chegaram da fronteira. Naturalmente, acabou se tornando um torcedor uruguaio. O lugar de nascimento explica que ele tivesse o coração dividido entre as duas culturas que, podemos dizer, são basicamente a mesma. Sua produção literária evidencia esse fato, pois se misturam publicações e cenários narrativos situados nos dois lados da fronteira.

A Prefeitura de Pelotas decretou 3 dias de luto oficial. A Federação de Futebol de Mesa do estado do Rio de Janeiro (FEFUMERJ) se solidariza, com a família, amigos e botonistas gaúchos pela perda dessa eminente figura do esporte e da cultura de Brasil e do Uruguai.

Fontes:
Claudio Pinho
Globo Esporte
Globo Esporte RS
Wikipedia
Aguantenche.com

Foto: Gilberto Perin/Divugação

Reprodução: Site FEFUMERJ